quinta-feira, 2 de outubro de 2008

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sentidos Proibidos

Agora que entrei na alegria não me proíbam os sentidos!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

domingo, 28 de setembro de 2008

Agarrado à vida


Não tenho grande jeito para fotografar – a mão treme-me talvez demasiado (sempre são vinte e tal anos de tabaco!) e o equipamento também não é grande coisa. É, por exemplo, a principal razão para ter tão poucas fotografias da minha pequenita. Mas, já que estava lá no Sul, e aproveitando o facto de o Verão já ter viajado e ter levado com ele a multidão com a qual nos meses de Júlio e de Augusto partilhamos o nosso torrão (de areia e mar), resolvi fazer algumas experiências nos espaços agora (quase) vazios.
Saí, decidido, para a rua (mas sem a “carteira castanha” do Tê/Veloso) e comecei a aproveitar a (pouca) luz da tarde já avançada. Resolvi ir pelo Largo, pois duas horas antes tinha conseguido uma foto sem absolutamente vivalma (tinha começado a chover!) e queria ver o que se passava a esta hora. Como o Sol tinha, ainda que timidamente, voltado, muita gente povoava a pequena praça. «Sigo já para o Espingardeiro», decidi. Contornando o chafariz como se de uma rotunda se tratasse, encaminhava-me para o antigo caminho da floresta, quando, num dos bancos do topo nordeste – onde não é costume –, vejo sentado o último dos Montinhos, o meu tio-avô Joaquim.
– Boa tarde! ‘Tá bom, Ti Joaquim?
– Olá, ‘tá bom? Quem...?
– Sou o Vítor... (o tio Joaquim viu sempre pouco, e agora então...)
– Ah, o Vitro... então o teu pai, está melhor?
– Vai mexendo mais... há bocado conseguiu vir aqui ao Isménio tomar café... mesmo na hora em que choveu...
– As nhas moças já me disseram que choveu, mas ê nã di notíiça...
– Eram para aí três horas, três e um quarto. Se calhar, estava a dormir a folga?!
– Pois... (sorrindo) ‘tava...
– Então e como é que tem andado?
– Olha, com quatro pernas! (com um gesto de doce amabilidade para com elas, apresenta-me, pousadas cada uma ao longo de uma das suas pernas estendidas, as suas “amigas”, as canadianas de alumínio) Com estas duas novas para ajudarem as velhas, que já estão muito ferrugentas nas dobradiças... tenho os joelhos muito presos... é o que me custa mais...
– Então, tem de andar um bocadinho de vez em quando para olear as ferragens...
– É... é o que eu faço... venho andando desde a casa ‘té aqui e depois sento-me um bocadinho...
– Mas hoje não está no banco do costume.
– Vim andando à pergunta da sombra e parí aqui neste...
– A fazer companhia aos gatos do Chico dos Porcos...
– São malinos! Tão depressa ‘tão dormindo como param quedos!
– Mas o tio e os seus camaradas hoje estão todos espalhados... aquele companheiro já esteve naquele banco e agora mudou para outro... e o outro companheiro hoje tem outra companhia...
– Tarda nada ‘tã-se a juntar...
– Para aqui se calhar hoje não vêm... viram-me aqui consigo.
... isto temos que ir mudando de companha...
– Para variar as conversas.
– As conversas são quase sempre as mesmas...
– Têm de se entreter...
– É... de manhêm vou por aí a baixo ao barbêro... e à tarde venho até aqui um poucachinho falar com os moços... (ri-se) com os velhos como eu...
– O tio agora é o mais velho cá da terra!
– É... agora há aí nenhum mais velho... às vezes, ‘tá aí uma senhora, que casou aí com o ??????, que é mais velha que eu, acho que uns meses... mas ela mora lá para Lisboa, e quando ela ‘tá cá sou eu o mais velho...
– Que idade é que tem agora?
– Se chegar a 21 de Novembro, faço 97...
– Então tem quatro de diferença para a minha avó; se ela fosse viva, já tinha 101, feitos em Março...
– Quatro? Nã sei... é capaz, sim... deve ser mais ou menos isso... ‘tão, a Conceição era más velha qu' eu aí uns dois anos... e a seguir era a Chica, a tua avó... sim... é capaz de ser isso... quantos é que disseste?... 101? Éramos oito e as diferenças duns para os outros eram mais ou menos de dois anos... é capaz, sim... A ‘Delaida era dois anos mais nova qu' eu, e o Toino tinha quase quatro de diferença de mim... Já foram todos... até os mais novos...
– O tio é o último dos Montinhos.
– Pois sou... E também já vive lá ninguém. Raça acabada! Quando vier aí o homem que leva a gente e me levar, acaba-se a raça...
– Ó tio, mas se ele aparecer, convença-o a voltar mais tarde... diga-lhe que ainda queria ver este Natal... e depois, quando voltar, empate-o até à Páscoa... depois, que é só mais um Verão...
Agora cá, que ele já vai nessa conversa. Já o ando a enganar há muito tempo... já ando agarrado à vida há muito tempo!
Entretanto, chegou a Leonor, uma das filhas, e a conversa mudou...
Acabei por ir tirar fotografias já quase de noite, mas ganhei mais uma hora de vida... com o pouco que já resta das minhas raízes mais antigas...
Não fotografei o Tio Joaquim!

Escadaria...

Inspirado num post da Clarice - principalmente a música; a imagem nem por isso (ainda não tive tempo de "tratar" as fotos)...

O meu Sul é virado a Oeste

Voltei do Sul... ou, melhor, do Sudoeste. Desculpem as minhas anteriores pequenas imprecisões, se puderem. Se não puderem, desculpem-mas na mesma. Eu chamo-lhe Sul porque é assim que o sinto, mas também é verdade que o sinto Oeste. Eu explico: quando estou cá, o lá para mim é Sul, porque este cá também é Oeste (tão Oeste que é "aqui onde a terra acaba e o mar começa"); na verdade, se pudesse voar de cá para lá em linha recta, eu estaria a viajar para Sudeste. O meu Sudoeste é, portanto, SUL, está bem?
Voltei... com um misto de alegria e de tristeza... que é como a vida é temperada.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Here comes the flood




Peter Gabriel I, 1977

«Here comes the flood»

When the night shows
The signals grow on radios
All the strange things
They come and go as early warnings
Stranded starfish have no place to hide
Still waiting for the swollen Easter tide
There's no point in direction we cannot even choose a side

I took the old track
The hollow shoulder, across the waters
On the tall cliffs
They were getting older, sons and daughters
The jaded underworld was riding high
Waves of steel hurled metal at the sky
And as the nails sunk in the cloud, the rain was warm
And soaked the crowd

Lord, here comes the flood
We'll say goodbye to flesh and blood
If again the seas are silent
In any still alive
It'll be those who gave their island to survive
Drink up, dreamers, you’re running dry

When the flood calls
You have no home, you have no walls
In the thunder crash
You're a thousand minds, within a flash
Don't be afraid to cry at what you see
The actors gone, there's only you and me
And if we break before the dawn, they'll use up what
We used to be

Lord here comes the flood
We'll say goodbye to flesh and blood
If again the seas are silent
In any still alive
It'll be those who gave their island to survive
Drink up, dreamers, you're running dry
Lord here comes the flood
We'll say goodbye to flesh and blood
If again the seas are silent
In any still alive
It'll be those who gave their island to survive
Drink up, dreamers, you're running dry
Drink up, dreamers, you're running dry

Written By : Peter Gabriel
Lyrics By : Peter Gabriel




Este tema encerra o primeiro trabalho a solo do ex-Genesis. Neste mesmo álbum, destaco a primeira faixa, «Moribund the Burgermeister» (a minha favorita - pena não estar disponível no imeem!), e a sétima, «Waiting for the Big One». Iniciou-se também aqui a grande viagem do tema «Solsbury Hill», de presença obrigatória em todos os ESPECTÁCULOS de Gabriel.