quarta-feira, 22 de outubro de 2008

arca de noé 2 - galinha d'angola [ney matogrosso]

Bem podia hoje ter ido ao Coliseu ver o Ney. No princípio, não gostava, mas fui aprendendo com o tempo a apreciar, até que um dia fui ao Coliseu vê-lo. Talvez tenha sido o melhor ESPECTÁCULO que vi naquela ou em qualquer outra sala. Quem puder, vá lá amanhã.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Pedido de desculpa

A quem de direito, venho pedir desculpa por ter retirado o último post. Os vossos comentários não se perderam, ficaram gravados na minha memória.

sábado, 18 de outubro de 2008

Passos em volta dos passos em volta

Acordas às quatro da manhã, vês o breu e ouves o silêncio.
Ninguém.
Nada.
«Estou sozinho no mundo... Desapareceram todos... Para onde?»
Levantas-te.
A meio do cigarro fumado à janela da cozinha, outro noctívago surge, pé ante pé (ou pata ante pata?), cabeça baixa e pescoço esticado, em felina aproximação de caçador à presa.
«Não desapareceram todos. O gato da vizinha do rés-do-chão voltou a fugir e vai errar pela noite dentro.»
Assinala a tua presença. Altera a rota e aproxima-se. Pára. Senta-se, enrolando egipciacamente a cauda à volta dos dois pares de patas (ou de pés?) entretanto acomodados em quarteto, e fixa-te, imóvel e silencioso.
Fuma contigo o resto do cigarro, sem mover um músculo, sem esboçar o mais ténue movimento, envolto pela noite queda e pesada, sem lua e sem brisa.
– Eh, gato doido! Eh, bicho!
Esfíngico. De tal modo se habituou já às tuas pseudotoureiras provocações que, qual velho touro sabido, não se afasta “das tábuas”, confiante e cúmplice, no seu bem ensaiado papel de interlocutor silencioso destes diálogos a uma só voz.
Fim do cigarro.
Abres o frigorífico e retiras, para ti, uma água com gás, para ele, a última salsicha do frasco. Nem o projéctil arremessado aos seus pés (ou patas?) lhe provocou qualquer reacção por reflexa que fosse. Só quando se ouviu o silvo resultante da abertura da cápsula que aprisionava o carbono no interior da garrafa verde a sua cabeça se moveu na direcção da francofortesa.
Acendes outro cigarro, que, lenta mas avidamente, fumas enquanto ele vai mordiscando aquele maná, caído do céu da janela, que ‘bem podia estar menos frio’.
Cai do plátano uma folha, lentamente.
De longe, por entre o labirinto de betão, começa a chegar o som metálico e ritmado da passagem de um quase infinito comboio de mercadorias.
«Há mais gente acordada!»
Já não se ouve o comboio.
Salsicha comida. Limpeza de bigodes.
Cigarro fumado. Água bebida.
Fechas a janela, enquanto ele reinicia a ronda.
Deitas-te, insone.
«Para ler, tenho de ligar o candeeiro, mas não me apetece luz. Música... mp3. Concerto de Brandemburgueses, n.º 1, de João Sebastião Bach!»
O diálogo agora tem já duas vozes, nenhuma delas a tua: as duas linhas melódicas que vão evoluindo, cada qual em seu naipe, de sopro ou de cordas, num jogo de sedução que oscila entre a subtileza e a exuberância.
Subitamente, fim do andamento.
Fim também da pilha do mp3.
O silêncio alia-se novamente ao breu e voltam, ambos, a envolver-te.
Bem abres os olhos e apuras os ouvidos, mas...
Nada.
Ninguém.


*Mote alheio para estas minhas voltas: «Estilo», o primeiro texto de Os passos em volta (1963), de Herberto Helder.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

17 de Outubro de 1935

7 dias antes: estreia, na Broadway, a ópera Porgy and Bess, de George Gershwin

3 dias depois, Mao Tse Tung e as suas forças comunistas terminam, em Yan'an, Shaanxi, a "Grande Marcha"



Faz hoje precisamente 73 anos que, em Dornelas, uma pequena aldeia rural do concelho de Aguiar da Beira, distrito da Guarda, nasceu o meu pai. Hoje, o dia é todo teu, pai.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Domingo

Sobre o Mário Viegas, escreverei um dia. Hoje, apetece-me dar os parabéns (já uns minutos atrasados para o dia 15) ao Manuel da Fonseca, escritor por quem sempre senti uma ternura especial e que, se ainda estivesse vivo, completaria hoje os 97 anos que espero o meu tio-avô Joaquim possa vir a celebrar daqui a um mês. Lembro-me de um dia o ver na Feira do Livro a autografar livros e de ter sentido uma enorme vontade de chegar perto dele e lhe beijar a careca como se do meu avô se tratasse. Ainda hoje me arrependo de o não ter feito. Lembro-me de estar um dia a almoçar, no ano do meu estágio, quando a notícia da sua morte me apanhou de surpresa, e de ter chorado e sofrido como se tivesse perdido alguém muito próximo. De tal forma que a minha mãe chegou a pensar que eu estava doente. Vou-o lembrando a algumas pessoas. É raro o ano lectivo em que, mesmo fora dos programas, eu não leia com os meus alunos um qualquer texto seu. «O vagabundo na esplanada» é quase incontornável - os miúdos percebem e gostam. Mas quase nunca levo para as aulas a sua poesia, que também me diz muito, mas que - pelo menos alguma - não consegue livrar-se das marcas do tempo da resistência (cantada pelo Adriano, pelo Lopes-Graça e outros). Mas acho este poema lindíssimo e quis partilhá-lo convosco.

domingo, 12 de outubro de 2008

Natureza Viva

Who framed ya?

spain - the blue moods of spain

Difícil de encontrar, foi o que se arranjou...