
Com um sinal sonoro, apagou-se a luz que obrigava ao uso do cinto de segurança e imediatamente se assistiu à movimentação do pessoal de bordo, logo seguido pelos passageiros mais impacientes. Noutra época, seria o momento de acender o cigarro que o ajudaria a libertar-se da tensão acumulada na última meia hora. Mas essa luzinha continuava ligada e assim iria manter-se.
Agora, a onze mil metros de altitude, sentia-se descontrair e começava a prestar atenção ao que o circundava. A turística do Jumbo estava praticamente repleta – mais de 500 almas cruzavam o Atlântico em direcção às Antilhas, atrás do Sol que teimava em declinar. As oito horas de viagem para percorrer cinco fusos horários provocam necessariamente jet lag, mas esse problema nunca o afectara em demasia, o que o aterrorizava eram as descolagens e as aterragens. Sempre que pensava nisso, tropeçava numa das muitas ironias da sua vida, pois, quando jovem adolescente, sonhava vir a ser piloto.
Já eram muitas as pessoas que circulavam ao longo das duas intermináveis coxias da cabina, como se passeassem num centro comercial climatizado, enquanto lá fora a temperatura, segundo os ecrãs, quase atingia os cinquenta graus negativos. No meio daquela multidão, as hospedeiras tardavam em aparecer e ele precisava de comer qualquer coisa que lhe ensopasse o uísque que ingerira no processo de anestesia para o voo e que lhe provocara o forte hálito alcoólico com o qual sabia poder incomodar quem o rodeasse. Foi pensando nisso que, de boca bem fechada, atentou na vizinha do 9E, a qual, ao sentir o seu olhar, lhe respondeu com um breve sorriso, antes de mergulhar novamente no livro aberto sobre a sua mão esquerda. Só agora reparava na discreta beleza da companheira de viagem que o destino lhe reservara.
Agora, a onze mil metros de altitude, sentia-se descontrair e começava a prestar atenção ao que o circundava. A turística do Jumbo estava praticamente repleta – mais de 500 almas cruzavam o Atlântico em direcção às Antilhas, atrás do Sol que teimava em declinar. As oito horas de viagem para percorrer cinco fusos horários provocam necessariamente jet lag, mas esse problema nunca o afectara em demasia, o que o aterrorizava eram as descolagens e as aterragens. Sempre que pensava nisso, tropeçava numa das muitas ironias da sua vida, pois, quando jovem adolescente, sonhava vir a ser piloto.
Já eram muitas as pessoas que circulavam ao longo das duas intermináveis coxias da cabina, como se passeassem num centro comercial climatizado, enquanto lá fora a temperatura, segundo os ecrãs, quase atingia os cinquenta graus negativos. No meio daquela multidão, as hospedeiras tardavam em aparecer e ele precisava de comer qualquer coisa que lhe ensopasse o uísque que ingerira no processo de anestesia para o voo e que lhe provocara o forte hálito alcoólico com o qual sabia poder incomodar quem o rodeasse. Foi pensando nisso que, de boca bem fechada, atentou na vizinha do 9E, a qual, ao sentir o seu olhar, lhe respondeu com um breve sorriso, antes de mergulhar novamente no livro aberto sobre a sua mão esquerda. Só agora reparava na discreta beleza da companheira de viagem que o destino lhe reservara.



