sábado, 10 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Dark Side...

Não penso que a NASA tenha finalmente conseguido "camoniar" a Lua, pois parece-me que a cratera Cabeus não faz parte do aparelho visual daquele orbe, até porque todos acharíamos estranho que a agência espacial norte-americana, após décadas de investigação e muitos milhões de dólares de investimento, pretendesse apenas vazar uma vista à nossa vizinha do lado.
No entanto, não deixa de parecer absurdo, depois de quase destruirmos o nosso planeta, andarmos agora a bombardear a Lua, ainda que com o argumento da necessidade científica de avaliação sobre a quantidade e a qualidade da água existente no satélite natural que teve a infelicidade de ter ficado encarcerado na nossa órbita e submetido ao nosso destino. Já não nos chega sujarmos a nossa casa, ainda temos necessidade de andar a deitar lixo no quintal do vizinho.
"Ah, e tal... que é preciso... que só assim saberemos se um dia virá a ser possível erigir a - até aqui utópica - base lunar..."
Eu lembro-me de, há trinta e tal anos, ter acontecido uma outra explosão há dez anos, cujas únicas consequências positivas foram a emancipação da Lua em relação à Terra e o leitmotiv para duas ou três temporadas de episódios de uma série televisiva de que a malta quase toda gostava.
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Há trinta anos...
No Dia Mundial da Música e para comemorar outra efeméride: Os Mestres & As Criaturas Novas completa hoje o seu primeiro ano de vida.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
O Bom Gigante
Era uma vez um gigante que não gostava de ser gigante.
– Chamo muito a atenção – queixava-se ele. – Para onde quer que vá, todos, de longe, apontam o dedo para mim "Lá vai o gigante!" E assustam-se. E abusam do meu nome e pessoa, metendo medo aos meninos: "Se não comes a sopa, chamo o gigante". E espalham disparates a meu respeito, dizendo que eu como gente, sou mau e outras calúnias que tais. Não aturo isto.
Pôs-se a andar de joelhos, a ver se não davam tanto por ele. Qual quê! Um gigante de joelhos, quer se queira quer não, é sempre um gigante, ainda que de joelhos.
Deixou de aparecer. Fechou-se no seu palácio de gigante e nunca mais pôs um pé fora de casa. Mas um gigante escondido, que de um momento para o outro pode aparecer, aterroriza ainda mais a vizinhança do que se andasse sempre na rua.
– Vou mudar de terra – decidiu o desgostado gigante.
Andou por vários reinos, sempre precedido pela sua fama.
– Vem aí o gigante – gritavam.
E todos fugiam.
Até que foi ter a uma terra de gigantes. De gigantões. Todos muito maiores do que ele.
– Aqui é que me convém ficar a viver – disse o gigante.
– Ninguém vai reparar em mim.
Por acaso reparavam. Chamavam-no, nessa terra, de gigantões matulões, chamavam ao gigante desta história de "pitorro", "badameco", "homenzinho", "pigmeu"... Mas ele, que tinha muito bom feitio, não se importava.
António Torrado
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
domingo, 20 de setembro de 2009
Amor à primeira vista e outras paixões

Hasta siempre, compañero!
* Como este é o meu post número 161 e sei que há quem goste de capicuas e similares, decidi publicá-lo em 20.09.2009, às 20:09. Eu sei que a coisa não capicua, mas tem o seu 'ritmo'...
sábado, 19 de setembro de 2009
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Parabéns!

Com um dia de atraso, um beijo de parabéns para a Lady Godiva no primeiro aniversário do seu Mar Aberto, por onde todos temos navegado com, mais do que agrado, prazer, mesmo que, por vezes, não deixemos vestígios dessas nossas passagens pelas águas - ora calmas e serenas, ora agitadas e revoltas - das imagens e dos sons, mas principalmente das palavras nuas cavalgando a liberdade...
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Saltando ao Brasil, num cavalo índio...
Para a Lady Godiva, serão "Criaturas Novas", mas não desmerecem o Mestre!...
domingo, 13 de setembro de 2009
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Hasta luego
Muito provavelmente no Victor's Café não será esta a música cubana que se ouve. Uma das pequenas diferenças entre Nova Iorque e Massamá...
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Fim do fim de férias
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
domingo, 16 de agosto de 2009
Intervalo
A meio das férias, partilho convosco um minuto dos que passei nos últimos dias nos sítios que gosto de também partilhar com os amigos.
Peço desculpa pela má qualidade do filme, mas nem a câmara nem o operador valem grande coisa.
Boas férias!
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Barranco

Depois das manhãs passadas, em família, na praia, não nos era permitido ali voltar enquanto não terminasse aquele período de três horas reservado à digestão do almoço, o que significaria o desperdício da tarde se não houvesse aquele grupo de amigos da mesma rua e o espaço onde evoluíam as nossas brincadeiras vespertinas.
O barranco era um mundo ao qual eu acedia apenas transpondo a quase sempre aberta porta do quintal da casa dos meus avós. Era só sair e correr barroca abaixo pelos carreiros bem batidos, por entre cardos e piteiras, que me levavam às areias brancas e finas das margens do pequeno ribeiro que sem dificuldade atravessávamos a vau, pois a profundidade máxima oscilava entre a altura do tornozelo e a do joelho.
Lá encontrava o Carlos, que morava na casa em frente à nossa, o Arnaldo e os seus primos, Virgílio e Serafim, que viviam todos em casas do quintal da sua avó Belarmina, que era igualmente avó da minha amiga Paula, vizinha também no resto do ano em Benfica.
A nossa ocupação mais frequente consistia em apanhar pardelhas e pequenas eirozes, por entre as imprecações das mulheres que lavavam roupa em pequenas presas, porque lhes deixávamos a água suja.
As pardelhas geralmente eram levadas para casa e tentávamos, quase sempre sem glória e com alguma miséria, que sobrevivessem alguns dias em aquários improvisados. As mais sortudas eram aquelas que decidíamos atirar aos poços de água doce, pois aí encontravam geralmente um ambiente propício ao seu desenvolvimento e até à sua reprodução.
Já as pequenas eirozes tinham um destino bem mais funesto, pois acabariam enfiadas pela boca num pequeno anzol, servindo de isco na tentativa, as mais das vezes frustrada, de pescar eirozes grandes ou enguias, por meio de um pequeno “aparelho” que armávamos com materiais sobrantes da pesca a sério.
Geralmente, íamos buscar esses utensílios ao grande toldo situado na Praia do Peixe, mesmo em frente ao sítio onde de manhã o pai do Isménio, o sr. Garcia – à época, morando e explorando na mesma casa uma espécie de drogaria onde vendia de tudo um pouco, também na nossa rua –, fazia o leilão do peixe pescado na madrugada anterior, numa lota improvisada nas areias da própria praia, que por essa razão ganhara o nome que lhe dávamos.
Nesse toldo, à tarde, alguns pescadores, num tricotado incessante, remendavam as redes, enquanto outros aparelhavam as nassas para a pesca à lula. Dessas tarefas, sobravam sempre anzóis, fio de seda e pequenas bóias de cortiça, que, com o acordo mal disfarçado de reprimenda, os homens de pele curtida pelo sol e pelo sal nos dispensavam.
Atando o fio de seda, numa ponta, às rodelas de cortiça e, na outra, ao anzol, o qual fazíamos a eiró abocanhar, rapidamente tínhamos o aparelho pronto a ser deixado toda a noite a boiar nas águas do barranco, escondido entre os juncos ou nos canaviais. Na maior parte das vezes, nem os aparelhos conseguíamos recuperar na manhã seguinte, pois, provavelmente, algum viandante mais madrugador, no seu caminho para a rega das cercas, recolhia o produto da nossa faina. Outras vezes, em vez de eirozes, encontrávamos, presas nas nossas armadilhas, cobras de água. Muito poucas eram as ocasiões em que tínhamos a sorte de desaparelhar as verde-azuladas pequenas enguias, que orgulhosamente ostentávamos como se de safios ou congros se tratasse.
Pescadores de água doce com ferramentas do mar, eis o que éramos.

