Gosto de dormir até tarde. Sempre gostei. É o meu relógio biológico: deitar tarde e tarde erguer!
Por isso me dá mais prazer levantar-me cedo em ocasiões especiais.
Nessa manhã primaveril, às sete e meia, já eu saía da Residencial das Trinas para entrar na pequena e apertada rua homónima, na direcção do miolo do casco de Guimarães.
É claro que, como qualquer turista, me fazia acompanhar de uma máquina fotográfica, mas acho que não cheguei a gastar um fotograma do filme incluso, em todo o tempo em que vagueei pelas milenares ruas, ruelas e praças da velha urbe, que pareciam ir despertando à minha passagem, lenta e atenta.
As imagens que guardei tenho-as todas algures entre a retina e as estantes empoeiradas da memória, onde também ainda subsistem os odores desse madrugador percurso labiríntico por entre lajes de granito entremeadas de um virginal branco e sacadas de madeira egrégia.
Chegado à Senhora da Oliveira, o pequeno-almoço tomado, a sós, na esplanada fronteira ao arco, encerrou essa pequena viagem no tempo sem tempo.
Mas ali volto, de quando em quando, como hoje, se me deixo levar pelo fumo de um cigarro...



