sexta-feira, 16 de abril de 2010

Olvido


Desce por fim sobre o meu coração
O olvido. Irrevocável. Absoluto.
Envolve-o grave como véu de luto.
Podes, corpo, ir dormir no teu caixão.

A fronte já sem rugas, distendidas
As feições, na imortal serenidade,
Dorme enfim sem desejo e sem saudade
Das coisas não logradas ou perdidas.

O barro que em quimera modelaste
Quebrou-se-te nas mãos. Viça uma flor...
Pões-lhe o dedo, ei-la murcha sobre a haste...

Ias andar, sempre fugia o chão,
Até que desvairavas, do terror.
Corria-te um suor, de inquietação...

Camilo Pessanha, Clepsidra

No dia do teu aniversário, Isabel Pascoal, relembro um dos primeiros poemas que contigo aprendi a ler num Outubro já longínquo.
Parabéns!

domingo, 21 de março de 2010

Parabéns, filhota!
És o sol mais resplandecente de todas as primaveras.

Sol


Enfiadas as calças por cima das ceroulas e calçadas as botas de prateleira, Manuel percorreu os seis passos que distavam do catre à cozinha. Ali chegado, retirou da prateleira mais alta do escaparate dos pratos o frasco do mel, do qual, lentamente, deixou escorrer, para uma colher de sopa de alumínio, o âmbar do seu dejejum. Seis passos volvidos, e vestidos que foram a camisa e o casaco puídos, abriu a porta do meio e saiu para o quintal. Saudou-o a aurora, que se ia esforçando por penetrar na ramaria da latada de parreiras, verde tecto suspenso entre o muro de taipa que limita a sua posse predial e o beiral do telhado das casinhas que lhe correm paralelas. Uma delas foi recentemente provida de uma retrete e de um lavatório com águas correntes – obra requerida e comparticipada pelas filhas que moram lá nas cidades e vêm no Verão passar férias com os netos. A essa se dirige, enquanto o arrebol se vem azulando, montado na brisa que transporta o doce aroma do trigo a pedir ceifa. Aliviado o corpo e refrescado o rosto, entra em casa para logo voltar a sair, desta feita pela porta principal, já de chapéu enterrado na nuca.
Escolhe descer a rua, que, após a curva esquinada, segue agora mais plana em direcção ao cruzamento em que um dos quarteirões é o abismo da Praia do Peixe, onde daqui a nada o Garcia há-de começar a ladainha da lota improvisada na areia. Não é para aí que se dirige Manuel. Não é o mar quem o chama. Nunca o chamou. Ou ele nunca o quis ouvir. Nem sequer vai olhar para ele, pois, ao chegar à esquina da Guarda Fiscal, é à direita que vira, em sentido oposto ao do caminho que serpenteia, barroca a baixo, até ao barranco e ao porto. Avança, agora, pela rua que quase não sobe até ao cruzamento das duas vendas: a do Zé Inácio e a do Arsénio. É para a primeira que os seus passos o levam. Esta tem as portas e as portadas ainda cerradas, aliás como todas as outras casas da aldeia, de onde ainda não saiu vivalma.
Com o punho bem fechado, ataca a porta:
− Zé Naiço! Abre lá a venda, homem!
Silêncio absoluto.
Nova revoada de punhadas na madeira.
− Ó Zé Naiço! Zé Naaaaiço! Nã tarda nada tá aí a carrêra!
De dentro, vão-se ouvindo os passos do vendeiro, que começa, finalmente, a abrir a porta.
− Bom dia, Ti Manel! Entre lá, que eu já vou ter consigo.
Enquanto o homem, ainda só meio vestido, acaba de descerrar portas e janelas, Manuel vai avançando para o balcão alto e pousa os braços no mármore frio.
Zé Inácio pega numa garrafa e atesta um cálice de aguardente:
− Vá, tão!
Manuel, com a mão esquerda, pega no copo e, sempre tremendo e entornando parte do seu conteúdo, leva-o até à boca, engolindo, de um só trago, aquele incêndio que o vai percorrer.
− Vá lá ver outro, Zé Naiço!
− Olhe que eu tenho isto tudo pra arrumar… espere lá um poucachinho, que o dia é grande, Ti Manel.
− Agora cá! Pranta lá aí outro e dêxa-te de conversas…
Ali vai ficar o dia quase todo, jogando à Bisca de 16 e bebendo com os companheiros.
Ali passa, agora, o tempo, queimando por dentro o corpo que o Sol e o forno tantos anos lhe queimaram por fora.
Da arte das suas mãos e do suor do seu rosto nasceram muitas das telhas que cobrem a maioria das casas da aldeia e muitos dos tijolos que enformam as suas paredes ou cobrem os seus chãos. Manel do Telheiro arrancava a terra à terra, limpava-a do escalracho, macerava-a até atingir a consistência desejada, cortava-a e moldava-a segundo o destino a dar-lhe e, antes de a cozer no forno, oferecia-a ao Sol, que, em volúpia, a cobria de beijos e envolvia de carícias.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O que sucedeu foi o seguinte...

Peço desculpa aos que por aqui vão passando por terem sido induzidos em erro com a publicação do último post, a qual mais não foi do que um acto falhado.
É que, após duas horas de redacção, quando dei ordem ao blogger para publicar o "Sol", tudo desapareceu não se sabe bem para onde, ou seja: perdi o texto e não o consegui já recuperar. Antigamente, escrevia os textos em Word e copiava-os para o blogger, mas foi hábito que infelizmente fui perdendo.
Fica a promessa de tentar reconstruir o "Sol" quando tiver um bocadinho...

domingo, 14 de março de 2010

Sal


Os outros santos doutores da Igreja foram sal da terra;
 Santo António foi sal da terra e foi sal do mar.

P.e António Vieira,
 Sermão de St.º António aos Peixes

Ainda a aurora vem para lá da loura planície, e já Francisca avança pelas dunas, aqui chamadas "medos", com passo certo e seguro. Deixou à filha mais velha todas as recomendações para cuidar dos irmãos e para a preparação dos almoços, que os mais novos ajudarão a levar ao pai, que anda na construção da "estrada nova", e a ela própria, Francisca, que por ora ainda vai a caminho da praia do Sissal, onde passará o dia a recolher os limos que a maré deixar.
A terra que a recebeu cedo foi pelas suas mãos trabalhada com o saber ancestral que lhe corre nas veias há gerações e gerações. Essas mãos de mãe, que pare e cuida, sempre da terra conseguiram a vida, tanto no pão como nas flores, que sempre amou.
Agora, é do mar que vão retirar o sustento que o sargaço está a dar, desde que chegaram aquelas camionetas que vêm pagar tostões por arrobas mal pesadas de limos castanhos, secos ao sol, estendidos nas areias dos medos.
Com o sal que vem do mar se salgará a terra.

* Esta é uma humilde tentativa de resposta a um triplo desafio que a Guida Palhota ali atrás deixou.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Abracadabra


Há coisas que custo a perceber neste ciberespaço em que navegamos todos os dias. Uma das que me têm ocupado algum tempo de vida nos últimos dias é o facto de, apesar de várias tentativas frustradas, não ter conseguido encontrar em lado nenhum a letra de um dos temas da discografia de Paulo de Carvalho que mais me marcaram - exactamente o que empresta o título a este post: «Abracadabra».
Como é possível navegar, horas a fio, num imenso mar de lixo, à cata de uma preciosidade, e acabar por de lá voltar com um indelével sentimento de frustração?
Não há vídeos no Youtube, letra nos sítios do costume, uma ponta por onde se possa desenovelar qualquer pista segura...
E eu, que já há tanto tempo ando a querer dizer com palavras alheias alguma coisa sobre os dias que correm, vejo-me obrigado a arriscar a confiança nos ecos que me vêm da memória.
Acho que eram assim as palavras que a Isabel Bahia alinhavou para o Paulo de Carvalho cantar:

                                Aqui está tudo bem!
                                Aqui está tudo tão bem!
                                O sol é mesmo de ouro,
                                a lua é toda de prata.
                                E quando chove
                                só caem diamantes!

                                Aqui não há semáforos,
                                aqui só há chupa-chupas.
                                E até as bengalas dos velhos
                                são feitas de chocolate.
                                 Ai, como é bom, tão bom,
                                 vivermos aqui!

                                  Abracadabra!
                                  Abrem-se as portas.
                                  Abrem-se os olhos de espanto.
                                  Não vejo o lado de fora!
                                  Quem me tira do encanto?

                                  (...)

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Ilustração Portuguesa


A Hemeroteca Municipal de Lisboa oferece-nos alguns tesouros, como a «Ilustração Portugueza», uma das mais célebres publicações do século passado.
É de visitar em:
 * Há por aqui um desafio escondido...

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O sentido da vida - Parte I



PRIMEIRA CENA: TEATRO À LA CARTE


Um casal muito bem vestido assim para o moderno, sentado à mesa de um restaurante, a olhar para a ementa. Lançam-se olharzinhos por cima das ementas. Sorriem com ar de circunstância.

ELE: Estás-te a divertir, amor?

Depois de uma pausa, aborrecida de morte.

ELA: Muito, meu tesouro. Imenso.

Risinhos tontos de ambos enquanto se dão a mão.
Chega NÁDIA, com um bloco de notas e caneta, extremamente amável.

NÁDIA: Os senhores já decidiram?
ELE: O que é que te apetece?
ELA: Não tenho bem a certeza… Como é o número cinco?
NÁDIA: Fantástico. Eu recomendo. Política internacional.
ELE: É muito profundo?
NÁDIA: Para mim não…
ELA: O que leva?
NÁDIA: Uma base de análise global, envolta num discurso ecologista light, com molho rosa e reivindicações contratuais. Não é nada indigesto.
ELA: Não. O corpo pede-me uma coisa mais forte.
NÁDIA: O telelixo interessa-lhe?
ELA: Nem por isso.
NÁDIA: E a violência de género? Vem numa moldura de tolerância zero, com laivos de feminismo radical…
ELE: Não, nada de radicalismos. (Para ELA.) Não te cai bem, depois eu fico mal disposto e acabamos sempre a discutir.
NÁDIA: Fora da ementa posso oferecer-lhes terrorismo islâmico, acordos entre patronato e sindicatos – muito divertidos –, apontamentos para um novo conceito de macho ibérico…
ELA: Não tem nada mais pessoal? Qualquer coisa que nos toque mesmo fundo.
NÁDIA: Mais íntimo?
ELA: Que nos emocione.
ELE: Tens a certeza, amor?
ELA: Hoje é uma noite muito especial… E há tanto tempo que não sinto nada…
NÁDIA: A verdade é que já não fazemos o pessoal há muito tempo.
ELA: Porquê?
NÁDIA: Era demasiado catártico.
ELA: Não se preocupe. Catarse é connosco. Ele, para já, é dramaturgo.
ELE: Autor.
ELA: Vai dar ao mesmo.
ELE: Não é bem. O dramaturgo é um criador de linguagens cénicas, que tem as raízes da sua obra imersas na antropologia moderna e na arte contemporânea. O autor não. O autor é um autocrata que se auto-cria numa auto-crítica auto-freudiana a partir de uma autoridade autista, como um autêntico autómato. Não concorda?

Em resposta, NÁDIA continua a sorrir impávida.

ELA: E eu sou actriz. Mas não me conhece porque sou do teatro.
NÁDIA: (Depois de uma pausa.) Fica então para dividirem? O pessoal, quero dizer.
ELA: É muito forte para uma pessoa só?
NÁDIA: Pode gerar ansiedade, confusão e problemas de comunicação…
ELA: Perfeito. É exactamente o que estamos a precisar.
ELE: Está bem. Um pessoal para cada um.
NÁDIA: E para beber?
ELA: Um copo de Borba.
ELE: E uma água sem gás.

NÁDIA recolhe as ementas e vai-se embora.
Escuro.



Antonio Onetti, Nádia ou os anões vão crescendo

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Duocentésimo



PROMETEU

Éter divino, brisas de asas velozes,
nascentes dos rios, sorrisos inúmeros
das vagas do mar, ó terra, mãe de todos,
e disco do Sol, que tudo vê - eu vos invoco!
Vêde o que sofre um deus, da parte dos deuses!
Contemplai as torturas
dilacerantes, que, por tempos sem fim,
eu hei-de suportar!
Tais são as algemas infamantes
que para mim criou o jovem senhor dos bem-aventurados.
Ai! Ai! Suspiro pela pena
presente e futura. Donde há-de vir um dia
o extremo limite deste sofrimento?
Mas que digo? Conheço já com rigor
tudo o que há-de vir. Desgraça inesperada não pode
surgir. Força é suportar o melhor possível
o destino marcado, sabendo invencível
a força da necessidade.
Mas calar ou não calar a minha sorte
não me é possível. Coitado de mim, que, por ter ofertado
um dom aos mortais, estou sob o jugo da necessidade.
Fui eu que descobri, no recesso de uma cana,
a nascente furtiva do fogo, que aos homens se revelou
mestra de todas as artes e recurso inestimável.
Desses crimes expio agora a pena,
pregado com algemas, sob a luz do céu.

Ésquilo, Prometeu Agrilhoado

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Diamante


Parabéns, mãe, pelos 75 já cumpridos!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Magnólia



A exaltação do mínimo,
e o magnífico relâmpago
do acontecimento mestre
restituem-me a forma
o meu esplendor.

Um diminuto berço me recolhe
onde a palavra se elide
na matéria – na metáfora –
necessária, e leve, a cada um
onde se ecoa e resvala.

A magnólia,
o som que se desenvolve nela
quando pronunciada,
é um exaltado aroma
perdido na tempestade,

um mínimo ente magnífico
desfolhando relâmpagos
sobre mim.

                 Luísa Neto Jorge

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Pelo fumo de um cigarro...


Gosto de dormir até tarde. Sempre gostei. É o meu relógio biológico: deitar tarde e tarde erguer!
Por isso me dá mais prazer levantar-me cedo em ocasiões especiais.
Nessa manhã primaveril, às sete e meia, já eu saía da Residencial das Trinas para entrar na pequena e apertada rua homónima, na direcção do miolo do casco de Guimarães.
É claro que, como qualquer turista, me fazia acompanhar de uma máquina fotográfica, mas acho que não cheguei a gastar um fotograma do filme incluso, em todo o tempo em que vagueei pelas milenares ruas, ruelas e praças da velha urbe, que pareciam ir despertando à minha passagem, lenta e atenta.
As imagens que guardei tenho-as todas algures entre a retina e as estantes empoeiradas da memória, onde também ainda subsistem os odores desse madrugador percurso labiríntico por entre lajes de granito entremeadas de um virginal branco e sacadas de madeira egrégia.
Chegado à Senhora da Oliveira, o pequeno-almoço tomado, a sós, na esplanada fronteira ao arco, encerrou essa pequena viagem no tempo sem tempo.
Mas ali volto, de quando em quando, como hoje, se me deixo levar pelo fumo de um cigarro...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Gente Feliz com Lágrimas



Há dois dias, numa situação agora cada vez mais frequente, tive de dizer "Não!" à minha filha. É claro que o que se seguiu é também já rotineiro. Começou a chorar, ao mesmo tempo que dizia "Uimpa, uimpa!" e pedia para beber água.
Decidi perguntar-lhe:
– Limpo o quê, filha?
– As aguinhas! – respondeu-me ela, apontando com os deditos as lágrimas que lhe escorriam face abaixo.
Não me lembro de alguma vez me ter sido dado a conhecer mais belo poema sobre lágrimas!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

sábado, 2 de janeiro de 2010

191




– Ainda o apanhamos! Ainda o apanhamos! Se apressarmos o passo, ainda o apanhamos!
E os teus olhos, ao ouvirem estas palavras, brilhando, concordaram.
E apressaste comigo o passo.
E descemos os Aliados, num alegre trote, de mão dada, como se, juntos, formássemos magicamente um ser duplamente alado.
E entrámos.
E pedimos bilhetes.
– Para onde?
– Para a Foz. Queremos ver o mar!
– Então, têm de mudar em Massarelos para a carreira 1.
– A 1, claro. Muito obrigado!
E sentámo-nos lá atrás, tu à janela, eu na coxia, sempre de mãos entrelaçadas, a beber nos olhos um do outro a paisagem que a luz do Porto nos pintava...

*Num dia de capicua, o meu post 191...

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Serenata Cínica

              (Outro poema cortado pela Censura. Na
              «Seara Nova». A «serenata cínica», para o
              Edmundo Bettencourt cantar. O querido
              Edmundo, magro como um grito.)



IX

Menino que vais na rua
não cantes nem chores: berra.
Cospe no céu e na lua
e aprende a pisar a terra.

Aprende a pisar o mundo.
Deixa a lua aos violinos
dos olhos dos vagabundos
e dos poetas caninos.

Aprende a pisar a vida.
Deixa a lua às costureiras
- pobre moeda caída
de quem não tem algibeiras.

Aprende a pisar no chão
o silêncio do luar
sem sentir no coração
outras pedras a gritar.

Pisa a lua sem remorsos
estatelada no solo...
Não hesites! Quebra os ossos
dessa criança de colo.

Pisa-a, frio, com coragem
sem olhos de serenata:
que isso que vês na paisagem
não é ouro nem é prata.

Menino que vais na rua
não chores, nem cantes: berra
ou então salta p'rá lua
e mija de lá na terra.

                           José Gomes Ferreira

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O nosso mundo é este

XVI

O nosso mundo é este
Vil suado
Dos dedos dos homens
Sujos de morte.

Um mundo forrado
De pele de mãos
Com pedras roídas
Das nossas sombras.

Um mundo lodoso
Do suor dos outros
E sangue nos ecos
Colado aos passos…

Um mundo tocado
Dos nossos olhos
A chorarem musgo
De lágrimas podres…

Um mundo de cárceres
Com grades de súplica
E o vento a soprar
Nos muros de gritos.

Um mundo de látegos
E vielas negras
Com braços de fome
A saírem das pedras…

O nosso mundo é este
Suado de morte
E não o das árvores
Floridas de música
A ignorarem
Que vão morrer.

E se soubessem, dariam flor?

Pois os homens sabem
E cantam e cantam
Com morte e suor.

O nosso mundo é este….

(Mas há-de ser outro.)

                                        José Gomes Ferreira