quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Relíquia


Para ti, Guida, no teu aniversário, uma relíquia do tempo em que ainda éramos 'piquenos'.

Beijo!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Tempo


Há já muito tempo que não aparecia por cá.
Mas estou vivo.
E tenho sentido a ausência.
Desejo a todos um óptimo ano novo!

domingo, 7 de novembro de 2010

Descobrir o Presente


Especialmente para ti, Guida, porque estou certo de que vais gostar e também porque, nas arrumações de gavetas, às vezes, saem de lá coisas novas.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

domingo, 10 de outubro de 2010

222



Terrível palavra é o non. Não tem direito nem avesso; por qualquer lado que o tomeis, sempre soa e diz o mesmo. Lede-o do princípio para o fim, ou do fim para o princípio, sempre non. Quando a vara de Moisés se converteu naquela serpente tão feroz, que fugia dela por que o não mordesse, disse-lhe Deus que a tomasse ao revés. E logo perdeu a força, a ferocidade e a peçonha.
O non não é assim: por qualquer parte que a tomeis, sempre é serpente, sempre morde, sempre fere, sempre leva veneno consigo. Mata a esperança, que é o único remédio que deixou a natureza a todos os males. Não há correctivo que o modere, nem arte que o abrande, nem lisonja que o adoce. Por mais que confeiteis um não, sempre amarga; por mais que o enfeiteis, sempre é feio; por mais que o doureis, sempre é de ferro. Em nenhuma solfa o podeis pôr que não seja mal soante, áspero e duro. Quereis saber qual é a dureza de um não? A mais dura coisa que tem a vida é chegar a pedir e, depois de chegar a pedir, ouvir um não. Vede o que será. A língua hebraica, que é a que falou Adão e a que mais naturalmente declara a essência das coisas, chama ao negar o que se pede envergonhar a face. Assim disse Bersabé a Salomão: “Trago-vos, Senhor, uma petição, não me envergonheis a face”. E por que se chama envergonhar a face negar o que se pede? Porque dizer não a quem pede é dar-lhe uma bofetada com a língua. Tão dura, tão áspera, tão injuriosa palavra é um não. Para a necessidade, dura; para a honra, afrontosa; e, para o merecimento, insofrível.

António Vieira, in Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dois


O tempo é a primeira das dimensões criadas pelo homem, a mais perfeita e a mais opressiva das suas obras.
Parece um aforismo ou uma citação de um qualquer autor famoso, daqueles por quem nos guiamos, daqueles que veneramos por terem conseguido dizer aquilo que sempre sentimos e pensámos mas que nunca conseguimos verbalizar.
Parece, mas não é.
Em primeiro lugar, não tem a sonoridade nem o ritmo que as sentenças tão bem sabem usar para se nos insinuarem, no caminho para nos vergarem à paixão por elas. Não é uma boa frase!
E, claro, o seu autor nunca virá a ser famoso por razão alguma, e muito menos pela autoria de tão sensaborona afirmação.
É, portanto, uma "obra menor" - não de um "autor maior", como a imagem que acompanha estas urdiduras poderá eventualmente engodar quem se fique pelas primeiras impressões apenas, mas de alguém a quem nem sequer "autor" se poderá chamar, tão "menores" são os artefactos que das suas mãos ganham vida.
É, apenas, uma coisa que a vida me foi ensinando, a mim, que tenho tão má relação com o tempo.
Se a Lady Godiva não tem tido a amabilidade de me "picar" com a publicação do seu post de ontem no Mar Aberto, provavelmente não me lembraria, nos dias que correm, do segundo aniversário deste blogue, «no fim do Verão».

quarta-feira, 8 de setembro de 2010