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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

12 segundos de escuridão...




Gira el haz de luz
para que se vea desde alta mar
yo buscaba el rumbo de regreso
sin quererlo encontrar

Pie detrás de pie
iba tras el pulso de claridad
la noche cerrada, apenas se abría,
se volvía a cerrar.

Un faro quieto
nada sería
guía, mientras
no deje de girar
no es la luz
lo que importa en verdad
son los 12 segundos
de oscuridad,

12 segundos de oscuridad
para que se vea desde alta mar
de poco le sirve al navegante
que no sepa esperar.

Pie detrás de pie
no hay otra manera de caminar
la noche del Cabo
revelada en un inmenso radar.

Un faro para,
sólo de día,
guía, mientras
no deje de girar
no es la luz
lo que importa en verdad
son los 12 segundos
de oscuridad,
12 segundos de oscuridad,
12 segundos de oscuridad,
para que se vea desde alta mar.

Jorge Drexler

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Faróis apagados



Nesta navegação à vista, todos os pequenos pontos de luz que possam servir de referência e ajudar a não encalhar em bancos de areia ou esbarrar contra escolhos são importantísssimos. O que dizer, então, dos faróis? Sem eles, torna-se praticamente impossível rumar a bom porto. Quando alguns deles se apagam, ainda que momentaneamente, a noite fica mesmo mais escura e fria, e a vontade de navegar esmorece. Mas navegar é preciso...

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Fim de férias


O corpo já regressou, o resto ainda lá quis ficar...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

quinta-feira, 16 de abril de 2009

imitatio

É claro que nos comportamos imitando, ao longo de todas as décadas das nossas infâncias. Começamos por imitar os outros e passamos a imitar-nos, a nós próprios, quando tentamos seguir uma linha de coerência. Consciente ou inconscientemente, norteamo-nos (ou orientamo-nos) pelos faróis modelares que vamos encontrando na navegação à vista a que chamamos vida. É por isso que, enquanto pais e educadores, sem deixarmos de ser nós, temos a obrigação de encarnar as personagens certas nos momentos fulcrais das vivências experienciais das nossas crianças e dos nossos adolescentes. Já o sabia enquanto professor e estou a aprendê-lo como pai. E não é nada fácil...

*Hoje, apeteceu-me assinalar a capicua que este post é (111), não por imitação, mas por a Lady Godiva, no seu Mar Aberto, nos ter recentemente relembrado a beleza de certas combinações numéricas ou morfossintácticas.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

On the road again



Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Manuel Bandeira

domingo, 16 de novembro de 2008

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Ocaso

"Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar."
Eugénio de Andrade
A ti, inevitavelmente, volto e sempre voltarei. Estás presente, de pedra e cal, nas minhas memórias mais antigas e mais queridas do tempo em que, corria, saltava, escalava, nadava, pescava, nos teus domínios e sob o teu atento olhar protector. Ainda eras farol nesse tempo. Lembro-me de a Dona Augusta sair de casa com um garrafão de petróleo, ao fim do dia, para acender a chama que toda a noite orientaria a navegação. Lembro-me de ela continuar a fazê-lo com o teu primeiro substituto. Já não existe nenhum deles. Tu subsistes, resistes, adaptado a candeeiro.
Sejas o que fores, quando a noite se aproxima, cansada de galgar meio mundo de terras e terras, és tu quem lhe dá as boas vindas ao mar e lhe desejas sorte para a longa viagem. Ficaste sempre, desejando partir. Apenas em sonhos, apanhas a boleia da noite e vais com ela por esse mar fora atrás do sol que vos foge sempre. Imaginas apenas o que existe para além do horizonte. Mas ouves todos os fins de tarde as notícias que a noite te traz e te grita a correr, antes de se lançar ao silêncio da travessia, e isso basta-te para conheceres o mundo como se o conhecesses realmente.
E é sobre isso que todas as noites conversas com a tua companheira que eterna e ternamente te fita do outro lado da baía, meio escondida pela vegetação que a veste e embeleza para ti. Sobre isso e sobre tantas outras coisas que são só vossas e a mais ninguém dizem respeito.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Amigo farol

Amigo, sabes que eu sei que já são poucos os que sabem que nasceste farol e durante muitos anos cumpriste com alegria e dor o teu destino... para tantos foste o sol no breu, quando, impregnados de sal, chegavam quase sempre de sul, confiantes no norte do teu oriente...